

Vislumbrar o último trimestre do ano traz quase sempre uma sensação dupla: por um lado, parece que o tempo voou; por outro, que ainda há espaço para agir.
E é justamente neste intervalo – entre o que passou e o que ainda pode acontecer – que surgem algumas das perguntas mais importantes para quem quer crescer profissionalmente.
Estou onde queria estar? Ou perto de onde queria estar?
Vou conseguir atingir os meus objetivos este ano?
Ainda vale a pena esperar que a oportunidade se concretize aqui na empresa?
E se não acontecer – será altura de sair?
Estas perguntas são legítimas. Mas a forma como respondemos a elas pode determinar o tipo de ciclo que criamos para a nossa carreira: um ciclo vicioso de frustração recorrente ou uma espiral de crescimento sustentável.
Para muitas pessoas, as férias de verão são o momento de começar a fazer balanços – mesmo que ainda faltem meses até dezembro.
É como se o tempo abrandasse só o suficiente para conseguirmos pensar.
E, nesse intervalo, surgem pensamentos como:
E, naturalmente, a conclusão que muitas pessoas tiram é:
“Está na hora de mudar de empresa.”
Mas será mesmo essa a única solução?…
Mudar de empresa pode ser um passo válido – quando é planeado com estratégia e propósito.
Mas muitas vezes, o impulso de sair vem de uma sensação de bloqueio ou invisibilidade.
E o risco é real: mudar de empresa sem mudar de padrão leva a repetições.
Se não está a ser reconhecida onde está, é importante perguntar:
Porque se o problema está nestes pontos, levará o problema consigo para onde que que vá.
A mudança será apenas geográfica, não transformadora.
É aqui que entra o modelo PIE – Performance, Image, Exposure – desenvolvido por Harvey Coleman, e muito utilizado em programas de desenvolvimento de carreira.
Este modelo ajuda a perceber que o crescimento profissional não depende apenas do trabalho que se faz – mas também da forma como se é percepcionada e do alcance dessa percepção.
Performance
Não basta trabalhar bem – é preciso trabalhar de forma alinhada com os objetivos do negócio.
E, mais do que isso, é preciso que o seu impacto e contributo seja visível.
Isto pode significar envolver-se em projetos de maior relevância estratégica, assumir entregas que tenham visibilidade transversal ou reportar resultados de forma clara e conectada com os objetivos da organização.
Image (Imagem)
A imagem não é só visual – é sobre presença e consistência.
É a forma como comunica nas reuniões, a atitude perante os desafios, a postura em situações de pressão.
Inclui também comunicação não verbal – desde a escuta até à forma como se apresenta visualmente.
Tudo transmite uma mensagem. E essa mensagem pode estar a alinhar-se (ou não) com os seus objetivos de progressão.
Exposure (Exposição)
Quem conhece o seu trabalho?
Quem fala do seu nome quando você não está na sala?
Este é talvez o pilar mais negligenciado – e, paradoxalmente e potencialmente, o mais determinante para acelerar a carreira.
Aqui vale a pena distinguir:
A exposição externa sólida reforça a sua autoridade interna.
É uma forma de posicionamento – que beneficia ambas as partes.
Antes de procurar emprego, experimente perguntar-se:
A resposta honesta a estas perguntas pode revelar mais do que qualquer avaliação anual.
E pode desbloquear novas possibilidades – sem ser necessário sair.
Às vezes, não é preciso mudar de empresa.
É preciso mudar a forma como se posiciona dentro dela.
Se a sensação de estagnação se repete ano após ano, talvez o desafio não esteja na empresa – mas no seu padrão de atuação.
Romper com isso exige intenção, consciência e uma nova abordagem.
O ano ainda não acabou.
Ainda há espaço para agir com estratégia, ganhar visibilidade, ajustar o posicionamento e testar novos comportamentos que conduzam ao reconhecimento.
Não precisa de fazer tudo.
Mas pode começar por aquilo que tem poder para mudar imediatamente!
E isso, por vezes, é o que abre caminho para tudo o resto.
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© 2024 | Cristina Correia