

Há algo que observo repetidamente em pessoas que acompanho em transição profissional: a ideia de que quanto mais procurarem, mais depressa encontrarão.
Parece lógico. Mas nem sempre é verdade.
Há quem dedique horas diárias à procura de emprego, responda a dezenas de anúncios, atualize constantemente o currículo e o perfil de LinkedIn — e ainda assim, sinta que está a andar em círculos.
O esforço é real. O retorno, nem tanto.
A questão não é falta de vontade – é falta de qualidade na procura.
Um estudo publicado no Journal of Applied Psychology (Van Hooft et al., 2022) analisou exatamente isso: o que diferencia uma procura eficaz de uma procura apenas intensa.
Os autores desenvolveram a Job Search Quality Scale, uma medida composta por quatro dimensões fundamentais, que ajudam a compreender como procurar melhor, e não apenas mais.
Esta dimensão diz respeito à clareza e à estrutura com que a pessoa conduz a procura de emprego.
Ter um objetivo profissional definido – e um plano de ação que o sustente – é o ponto de partida da qualidade.
O contrário disto é o que vejo com frequência: candidaturas reativas, currículos enviados “para ver o que dá”, perfis vagos que tentam servir vários propósitos ao mesmo tempo.
Sem direção, a energia dispersa-se.
Não são poucos os clientes que, ao início, me dizem: “Quero mudar, mas ainda não sei para quê.”
A primeira etapa é ajudar a clarificar o que procuram, a alinhar o tipo de função, setor e contexto. Quando o alvo fica definido, o esforço reduz-se – e os resultados começam a aparecer.
Planeamento é foco. E foco é o que transforma movimento em progresso.
A segunda dimensão está relacionada com o nível de preparação – e com o alinhamento entre as suas competências e o mercado que quer atingir.
Implica investir tempo em compreender o que as empresas valorizam, atualizar competências, ajustar a comunicação e preparar-se de forma intencional.
É o oposto de “atirar currículos” e esperar que algo aconteça.
A preparação é visível nas pequenas coisas: na forma como se escreve um e-mail, se adapta o currículo à função, se demonstra interesse genuíno pela empresa.
É também o momento de testar a própria narrativa: o que quero transmitir e o que quero que fique claro sobre o meu valor.
É aqui que muitos profissionais percebem que a questão não é “não ter oportunidades” – é não estar alinhado com as oportunidades certas.
Esta dimensão é uma das mais desafiantes – e das mais negligenciadas.
Procurar emprego é, acima de tudo, um processo emocional.
Requer gestão de expectativas, resiliência e capacidade de continuar, mesmo quando o silêncio das respostas pesa.
A investigação mostra que a capacidade de regular emoções e persistir de forma equilibrada é determinante.
E, na prática, é o que separa quem desiste à terceira candidatura rejeitada de quem se reposiciona e volta com mais clareza.
Uma cliente que acompanhei descreveu bem este ponto: “Aprendi a não levar cada ‘não’ como um fracasso, mas como informação”.
Essa mudança de perspetiva é poderosa.
Persistir não é insistir sem critério. É ajustar com serenidade, sem deixar que o desânimo defina o ritmo.
A última dimensão fecha o ciclo – e é o que transforma cada tentativa em experiência acumulada.
Significa refletir sobre o que funcionou, o que pode ser ajustado e o que é preciso aprender.
Muitas pessoas vivem a procura de emprego como uma sequência de tentativas desconectadas. Mas quem aprende com o processo evolui a cada passo.
No estudo, esta dimensão está fortemente associada à orientação para a aprendizagem e à autoeficácia – duas competências que, na minha experiência, crescem exponencialmente quando há orientação profissional.
Porque sim, é possível aprender a procurar emprego de forma mais eficaz.
E quanto mais estruturado o processo, mais confiança se ganha — não apenas para conseguir o próximo cargo, mas para saber, no futuro, como gerir qualquer transição com autonomia.
Na construção da escala, os autores encontraram correlações positivas entre a qualidade da procura e vários fatores pessoais e contextuais:
Estes resultados reforçam algo que a experiência prática confirma: ter acompanhamento, orientação e feedback estruturado acelera o processo e melhora a qualidade das decisões.
A presença de alguém que ajuda a definir metas, desafia crenças limitadoras e oferece um enquadramento realista é, muitas vezes, o que transforma a procura num processo mais consciente e eficaz.
O que este modelo demonstra – e que vejo todos os dias – é que procurar emprego com qualidade é um equilíbrio entre autoconhecimento, estratégia e gestão emocional.
É tão técnico quanto humano.
Procurar mais não é sinónimo de procurar melhor.
Porque quantidade sem direção, preparação e aprendizagem é apenas desgaste.
Mas quando há estrutura, clareza e acompanhamento, cada passo contribui para algo maior: um reposicionamento real, não apenas uma mudança de emprego.
Foi precisamente esta ideia – compreender o que torna uma procura de emprego mais eficaz – que me inspirou a criar o assessment Eficácia na Procura de Emprego.
Esta investigação concentrou-se sobretudo nos elementos internos da procura – como objetivos, planeamento, regulação emocional e aprendizagem. Este assessment vai além.
Inclui também elementos externos e comportamentais, como a qualidade e o impacto das candidaturas, do currículo, das entrevistas e também do LinkedIn.
Permite avaliar o seu processo em seis dimensões essenciais:
Posicionamento, Currículo, Candidaturas, LinkedIn, Entrevista e Abordagem ao Mercado.
É um self-assessment construído com base em evidência prática e numa análise aprofundada dos fatores que mais influenciam a eficácia da procura de profissionais em transição.
No final, recebe um relatório personalizado e detalhado com:
Mais do que um diagnóstico, é um espelho que ajuda a perceber como transformar a procura de emprego num processo intencional, estruturado e com resultados reais.
Faça AQUI o seu.
Van Hooft, E. A. J., et al. (2022). How to Optimize the Job Search Process: Development and Validation of the Job Search Quality Scale. Journal of Applied Psychology, 107(5), 839–856.
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© 2024 | Cristina Correia